o mundo sutil

the subtle world

Foi depois de ler “As Ondas” de Virginia Woolf que me dei conta de um mundo completamente sutil, que existe paralelo ao nosso e que obedece as próprias regras, e o que é mais importante, o próprio tempo.
A escritora traça um paralelo entre o nascimento, vida e a morte dos personagens humanos e o transcorrer do sol desde o seu despontar no horizonte até o entardecer. O sol é então o personagem principal; em cada momento do dia ele transforma completamente o mundo como ele é percebido dentro de uma sala, no batente da janela: as cores dos móveis, intensidade da luz na cortina, temperatura e até os cheiros que mudam no decorrer de um único dia.
Isso me fez pensar muito nos dias em que dizemos que “nada aconteceu.” Isto é mpossível se você parar pra prestar atenção nesse mundo sutil que existe no seu próprio quintal, na sua janela, na sua rua. Ele continua girando, independente de você, e já estava aqui muito antes de você.
Um mundo assim só consegue existir na contemplação, exercício raro nos dias de hoje.

It was after reading “The Waves” by Virginia Woolf that I realized there was a world completely subtle, which exists parallel to ours and which obeys its own rules, and most importantly, its own time. The writer traces a parallel line between the birth, life and death of the human characters and the course of the sun from its rise until it sets. The sun is then the main character; in each moment of the day it completely transforms the world as it is perceived inside a room, at the window pane: the colors of the furniture, the intensity of the light at the curtains, temperature and even the smells that change along a single day.
This made me think of the days that we claim “nothing happened.” That’s impossible if you stop to pay close attention to this subtle world existing in your own backyard, by your window, on your street. It keeps spinning around, regardless of you and it has been around long before you were.
Such world may only exist in contemplation, a rare exercise these days.

no jardim das coisas que eu não sei

5 pensamentos sobre “o mundo sutil

  1. >Isso me faz lembrar também algo que aconteceu e ainda acontece muitas vezes comigo, não sei se contigo tbm, das pessoas chegarem e dizer "não estás fazendo nada, só desenhando", como se desenhar significasse não fazer nada… e muitas vezes esse "fazer nada" ressignifica toda a tua vida, pois um momento de reflexão e contemplação — raro mesmo — faz a diferença quando nos sentimos pressionados por alguma coisa. Tem um livro do Mia Couto "Antes de Nascer o Mundo", no qual as personagens tbm vivem num mundo paralelo…

  2. >Lidiane, sabe que até hoje me sinto culpada quando estou desenhando em casa (ou seja, quase sempre), como se o que eu estivesse fazendo não fosse nada!E se você pensa como eu, tem que levar a sério esse tempo que vive do silêncio, e que é só seu. Você tem toda razão, ele ressignifica toda a tua vida…Adorei a dica do livro, sempre quiz ler Mia Couto mas nunca soube como começar.grande beijo!Nossa Fabio, eu lembro de quando li esse livro parava várias vezes com ele na mão, como se fosse um tesouro e não queria que acabasse nunca!

  3. >Conversei sobre isso com meu orientador dia desses, e ele me respondeu que é algo que também acontece em relação à leitura: "ah, vc não está fazendo nada, só lendo…" Procuro fazer do momento em que desenho um momento de fala comigo mesma — uma fala silenciosa. Que bom que vc gostou da dica do livro, o Mia é genial!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s