o jardim.

the garden.

A peça mais bonita que já assisti. Sem exageros. Não tenho outra maneira de definir “o Jardim”, peça em cartaz no Tusp, pela Cia Hiato.
Ao entrar no teatro você se depara com o cenário simples de O Jardim : caixas de papelão e um chão de grama sintética. Os atores estão silenciosos e sentados sobre algumas caixas espalhadas pelo chão. Ao escolher o seu lugar no pequeno teatro de arena, você decidirá, mesmo sem saber, por onde a história começa pra você, porque os atores re-arranjam as caixas, dividindo o palco então em três partes. Três atos, três momentos na vida de um homem que na sua velhice sofre de Alzheimer. Com a doença, todas as memórias de sua vida perecem se esvair. Durante a juventude, um amor que se foi. E o que sobra desta vida, anos mais tarde, nas mãos da neta: um par de sapatos e um relógio. Durante a peça, escutamos os ecos sincronizados dos atores do outro lado do palco. São os ecos da sua vida passada, e futura. Ecos que escutamos durante toda a nossa vida.
Uma reflexão linda sobre a construção das nossas memórias e como se entre-cruzam, dialogam, são inventadas, se esvaem. E o que realmente fica, com quem fica, o que se faz com aquilo que ficou.

The most beautiful play I’ve ever watched. I’m not exaggerating. I have no other way to define “the garden.”
When you enter the theater you are faced with the simple scenario of The Garden: cardboard boxes and a floor covered by synthetic grass. The actors are sitting on some boxes scattered on the floor, silently. When you choose your seat in the small arena theater, you decide, by chance where the story begins for you, because the actors re-arrange the boxes, separating the stage on three sides. Three acts, three moments in the life of a man who, in his old age suffers from Alzheimer’s. With the disease, all of the memories of his life seem to perish. During his youth, the loss of a love. Years later, his granddaughter shows us what is left of his life: a pair of shoes and a watch. During the play, we hear the echoes of synchronized actors from across the stage. These are the echoes of his past and future lives. Echoes we hear throughout our own lives.
A beautiful reflection on the construction of our memories and how they cross-between, dialogue, are invented, vanish. And what really remains, who keeps it, and what is made out of what’s left.

Luciana: As duas estão paradas, sorrindo, como que para uma fotografia futura.
Paula: Vocês estão paradas num quarto em ruínas. Nenhum futuro, só o                                           que vocês tem é o passado.

Luciana: The two of us are standing, smiling, as if for a future picture.
Paula: You are standing in a room in ruins. No future, the only thing you have is the past.

3 thoughts

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s