sombria luz

dark light

Nunca fui muito fã da arte produzida no Brasil no chamado período Modernista. Sim, aprecio algumas coisas, e principalmente respeito o contexto dentro da História. Mas no geral não há muito que faça meu coração bater mais forte. Até conhecer o trabalho de Oswaldo Goeldi, que aparentemente nunca de fato pertenceu ao grupo dos Modernistas. Admira-me a sua história pessoal, que inclui ter sido convocado a ser sentinela na Primeira Guerra Mundial, e posteriormente praticamente expulso da família após a morte de seu pai, um prestigioso zoólogo vindo ao Brasil da Suíça a convite de Dom Pedro II.
Enquanto a maioria retratava o exotismo do Brasil e sua suposta infinita festividade colorida, Goeldi parecia olhar pra onde ninguém mais olhava. Os becos escuros e sujos do Rio de Janeiro, e não o mar; os solitários na noite, os urubus comedores de carniça e cachorros magros, a melancolia e a desesperança.
I was never a big fan of the art produced in Brazil during the so-called Modernist period. Yes, I appreciate some things, especially about its context in History. But overall there is not much that makes my heart beat faster. Not after getting to know the work of Oswaldo Goeldi, who apparently never actually belonged to the group of Modernists. I appreciate his personal history, which includes having been summoned to be a sentinel during the First World War, and later almost expelled from the family after the death of his father, a prestigious zoologist from Switzerland who came to Brazil at the invitation of Dom Pedro II.
While most portrayed the exoticism of Brazil and its alleged endless colorful celebration, Goeldi seemed to look where no one else was looking. The dark and dirty alleys of Rio de Janeiro, and not the sea, but the lonely night; carrion-eating vultures and scrawny dogs, melancholy and hopelessness.

Não encontrei o senso de conforto típico em nenhuma imagem exposta; ventanias e incêndios assolam os lares; não existe consolo para o velho moribundo e para a prostituta. Há frestas de luz onde a escuridão prevalece, em suas xilogravuras, desenhos em nanquim e carvão. Mas existe uma tremenda humanidade; uma brutal honestidade sobre  a visão de um mundo que na época já era idealizado. Isto por si já me traz conforto porque não me sinto enganada pela falácia da felicidade e celebração eternas, estas impossíveis porque dentro de nós coexiste a violência, a solidão e a melancolia. Mesmo dentro de nós, Brasileiros.
I found no typical sense of comfort in any image exposed; windstorms and fires ravage homes, there is no consolation to the dying old man and the prostitute. There are hints of light where darkness prevails in his woodcuts, ink and charcoal drawings. But there is a tremendous humanity; a brutal honesty about the vision of a world that at the time it was deeply romanticized. This in itself already brings me comfort because I do not feel deceived by the fallacy of eternal happiness and celebration, these impossible because within us coexists violence, loneliness and melancholy. Even within us, Brazilians.

A exposição “Sombria Luz” fica em cartaz até 19 de Agosto no Museu de Arte Moderna de São Paulo.
The exhibition “Sombria Luz” is open until August 19th at the Museum of Modern Art in São Paulo.

2 thoughts

  1. Pois é, Thaís, também acho esse otimismo barato vestido de modernismo um grande pé no saco, e poucos são os artistas que não se limitam à fórmula do fácil agrado e vão fundo.

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