a poética da neurociência

the poetics of neuroscience

A ciência sempre me interessou, mas de uma maneira muito poética, provavelmente porque minhas aptidões matemáticas são nulas. Mais especificamente a neurociência – apesar de sofrer de ataques de amor à física quântica e astronomia de quando em quando. Mas quem não sofre?
Sempre li bastante coisa no ramo da psicologia – Jung, principalmente, e logo depois que me formei trabalhei por um ano em uma organização que baseava todo o seu trabalho em Arte Terapia. Depois conto mais sobre isto, porque hoje vejo o quanto influenciou a minha maneira de trabalhar até hoje. Posso dizer que foi o emprego mais legal que eu já tive, antes de não ter mais emprego nenhum.
Recentemente descobri o neurologista Oliver Sacks, onde escuto os podcasts do Radiolab. Ele sempre aparece por lá, mas a primeira vez que o escutei ele entrevistava o pintor Chuck Close, que coincidentemente sofre da mesma doença neurológica que ele: ambos não conseguem reconhecer rostos, ou prosopagnosia. Depois disso passei a admirar e entender melhor o trabalho do Chuck Close.
Estes dias em uma livraria me deparei com a coleção completa dos livros publicados por Oliver Sacks, e escolhi  “O homem que confundiu sua mulher com um chapéu.” São várias histórias sobre pacientes do Dr. Sacks, muitas em uma época que a maioria destas doenças eram raras. A perda da memória de um marinheiro, por exemplo, é um relato quase poético. Sacks inicia o capítulo com uma citação das memórias de Buñuel (que eu até já mencionei por aqui):
“É preciso começar a perder a memória, mesmo que a das pequenas coisas, para percebermos que é a memória que faz nossa vida. Vida sem memória não é vida.”
Este paciente, um senhor de idade, acredita ainda ter 19 anos onde suas memórias permaneceram congeladas até o fim da sua vida. Ele não consegue reconhecer nenhum objeto fabricado depois de 1945, e se surpreende quando vê que seu irmão é muito mais velho do que ele imagina. Uma bela reflexão sobre o tempo.

Science has always interested me, but in a very poetic way, probably because my math skills are nil. More specifically neuroscience – despite suffering from attacks of love for quantum physics and astronomy from time to time. But who does not suffer?
I’ve always read quite a lot in the field of psychology – Jung, mainly. Soon after I graduated I worked for a year in an organization that was based in Art Therapy. I will tell more about it, because now I see how it influenced the way I work to this day. I can say that was the coolest job I ever had before not having any job at all.
I recently discovered the neurologist Oliver Sacks, when listening to Radiolab podcasts. He always shows up there, but the first time I heard him was during an  interview with the painter Chuck Close, who coincidentally suffers from the same neurological disease: both fail to recognize faces, or prosopagnosia. After learning that, I began to admire more and understand the work of Chuck Close.
These days in a bookstore I came across a complete collection of books by Oliver Sacks, and I chose “The Man Who Mistook His Wife for a Hat.” There are several stories about Dr. Sacks’s patients, many at a time when most of these diseases were rare. The loss of memory of a sailor, for example, is an almost poetic story . Sacks begins the chapter with a quote from the memoirs of Buñuel (I’ve even mentioned here):
“We must begin to lose their memory, even the small things, to realize that memory is what makes our lives. Life without memory is no life.”
This patient, an old man, believed he was still have 19 years old, where his memories remained frozen until the end of his life. He could not recognize any object manufactured after 1945, and was surprised when he saw that his brother was much older than he realized. A beautiful reflection on time.

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